quarta-feira, 6 de maio de 2026

DISPUTA PELO GOVERNO: Pesquisa Seta/Polêmica mostra empate técnico entre Cícero e Lucas - VEJA OS NÚMEROS

 O Polêmica Paraíba juntamente com o Instituto de pesquisa SETA lançam nesta quarta-feira (6), o décimo levantamento do projeto de pesquisa.

Por Vitor Azevêdo

O Polêmica Paraíba juntamente com o Instituto de pesquisa SETA lançam nesta quarta-feira (6), o décimo levantamento do projeto de pesquisa mais inovador do estado.

Nesta matéria, o Polêmica Paraíba disponibiliza os números da disputa pelo Governo do Estado da Paraíba.

A pesquisa foi realizada entre os dias 28 de abril e 1 de maio, ouvindo 1.500 eleitores paraibanos, distribuídos em todas as regiões do estado, garantindo uma amostra representativa do eleitorado.

O estudo está registrado sob o número PB-04436/2026. O levantamento possui nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos.

A principal mudança desta pesquisa para o levantamento anterior, é que a distância entre Cícero Lucena e Lucas Ribeiro que estava em 4,4% nos números de Março, agora se encontra em apenas 1,5%, configurando um empate técnico.

Os números mostram Cícero Lucena na primeira colocação com 29,5% dos votos, seguido de perto pelo Governador Lucas Ribeiro com 28%, com o Senador Efraim Filho fechando o pódio com 18,7%

Mais atrás nós vemos Olímpio Rocha atingindo 1,5% e Sandro Gama fechando o levantamento com 0,2%.

Aqueles que afirmaram que não sabem ou que não responderam em quem irão votar atingiu 14,8%, enquanto os que afirmam que irão votar branco ou nulo são 7,3%.

Instituto Seta

Fundado em 2009, o Instituto Seta é especializado em pesquisas de mercado, opinião pública e análise político - eleitoral, consolidando-se como referência no Nordeste, realizando centenas de levantamentos com metodologia rigorosa e compromisso ético, em conformidade com a legislação. Seu diretor-geral, Daniel Menezes, é cientista político (UFRN) com doutorado em Ciências Sociais e vasta experiência em campanhas eleitorais.

Fonte: Polêmica Paraíba/SETA
Créditos: Vitor Azevêdo

O Brasil que trabalha e o Brasil que lucra: diferença por hora entre povo e políticos chega a 70 vezes

Desigualdade entre trabalhadores e parlamentares levanta um alerta sobre o papel do eleitor diante de mudanças que raramente saem do discurso.

Por Adriano Lourenço

Não é novidade que o Brasil é um país desigual. O que muda — e incomoda — é quando essa desigualdade deixa de ser abstrata e passa a caber em uma conta simples.

Basta uma conta simples para expor um contraste que milhões de brasileiros sentem na prática: o valor da hora trabalhada no país. Ao colocar lado a lado a realidade do trabalhador comum e a da classe política, o resultado revela um abismo difícil de ignorar — e ainda mais difícil de justificar.

A diferença não está apenas nos salários, mas na relação entre esforço, tempo e retorno financeiro. É nesse ponto que a comparação ganha força e deixa de ser apenas econômica para se tornar social e política.

A resposta, apresentada com cálculos básicos, revela um abismo difícil de ignorar.

De um lado, o trabalhador brasileiro. Acorda cedo, enfrenta transporte precário, cumpre jornadas que chegam a 44 horas semanais — muitas vezes mais — e, ao final do mês, recebe um salário que mal acompanha o custo de vida. Em muitos casos, sem estabilidade, sem segurança e com acesso limitado a direitos.

Do outro lado, a classe política.

Com salários que ultrapassam os R$ 40 mil mensais, além de benefícios como auxílio-moradia, passagens aéreas e verbas de gabinete, parlamentares vivem uma realidade distante da maioria da população. Embora a função envolva responsabilidades institucionais, a percepção popular é de que a carga de trabalho não acompanha o nível de remuneração.

Uma disparidade de valores que impressiona: enquanto um trabalhador comum pode receber entre R$ 6 e R$ 10 por hora, parlamentares podem ultrapassar a marca de R$ 500 por hora trabalhada.

Não se trata apenas de diferença. Trata-se de distorção.

A discrepância entre valores é absurda e traduz em números, um sentimento coletivo de injustiça. A ideia de que o esforço de quem sustenta a base do país vale cada vez menos, enquanto o topo da estrutura política segue blindado por privilégios.

E o problema vai além dos salários.

O discurso da responsabilidade fiscal, frequentemente direcionado à população, raramente alcança os custos da própria política. Ajustes, cortes e sacrifícios recaem, quase sempre, sobre os mesmos: os trabalhadores.

Enquanto isso, o custo do poder permanece protegido.

O impacto desse cenário não é apenas econômico — é institucional. Ele corrói a confiança, amplia o distanciamento entre representantes e representados e fortalece a percepção de que existem dois países convivendo sob a mesma bandeira: um que paga a conta e outro que decide como ela será gasta.

Em um contexto pré-eleitoral, esse tipo de comparação ganha ainda mais força. Não apenas pelo potencial de indignação, mas pelo poder de influenciar decisões.

Diante disso, o papel do eleitor deixa de ser apenas um direito e passa a ser uma responsabilidade direta sobre a manutenção — ou mudança — desse sistema.

A cada eleição, promessas se repetem: corte de privilégios, valorização do trabalho, compromisso com a população. No entanto, mudanças estruturais profundas raramente acontecem na prática.

E isso exige reflexão.

Transformar essa realidade não depende apenas do voto, mas do que vem depois dele: acompanhamento, cobrança e memória. O risco não está apenas em escolher mal, mas em não acompanhar, em esquecer, em permitir que o ciclo se repita.

Porque, no fim, o sistema que parece distante é sustentado por decisões que começam nas urnas — mas não podem terminar nelas.

Enquanto o valor do trabalho do brasileiro seguir sendo tratado como detalhe, a mudança continuará sendo apenas discurso.

E não realidade.

 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Alckmin diz que Lula "está definindo" nova indicação ao STF

Vice-presidente lamentou a rejeição ao nome de Jorge Messias no Senado e disse que o advogado - geral da União é uma pessoa "preparada" e um jurista "com espírito público"


 Renan Fiuza e Leticia Martins, da CNN Brasil, São Paulo

                                                                  Foto: Emerson Leal/STJ

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou, nesta segunda-feira (4), que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) "está definindo sua nova indicação" ao STF (Supremo Tribunal Federal) após o Senado Federal rejeitar, na última semana, a primeira escolha do chefe do Executivo, o advogado - geral da União, Jorge Messias.

"Olha, primeiro, quero lamentar a não eleição do Jorge Messias, porque é uma pessoa preparada, jurista com experiência, com espírito público, uma vida dedicada ao serviço público", afirmou Alckmin durante agenda em São Paulo.

"Mas enfim, isso compete ao Congresso Nacional, porque você vai ficar com um ministro a menos no Supremo já sobrecarregado de processos. Eu acho que o presidente Lula está definindo a sua nova indicação", completou o vice.

Rejeição no Senado

Na última quarta-feira (29), Jorge Messias foi rejeitado por 42 votos a 34 no plenário do Senado, em uma articulação da oposição com o presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP).

Para a aprovação no plenário, eram necessários ao menos 41 votos. Desde 1894, o Senado não rejeitava um nome indicado ao Supremo.

Nesta segunda-feira, Messias retornou ao comando da AGU (Advocacia-Geral da União). Ele esteve de férias entre os dias 8 e 30 de abril, período em que se afastou das funções para se preparar para a sabatina de sua indicação ao STF na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado.

Segundo apuração da CNN Brasil, apesar de interlocutores afirmarem que o advogado-geral está inclinado a deixar a função, há a avaliação de que ele pode atender a um eventual pedido de Lula para permanecer no cargo por mais tempo.


Desemprego fica em 6,1% até março e atinge menor nível da série histórica, aponta IBGE

Mesmo com o resultado positivo, o contingente de pessoas sem trabalho aumentou no curto prazo

Por Band News


A taxa de desemprego no Brasil ficou em 6,1% no trimestre encerrado em março de 2026, de acordo com a PNAD Contínua divulgada nesta quinta-feira (30) pelo IBGE. O índice veio em linha com as projeções do mercado e representa o menor patamar da série histórica iniciada em 2012.

Mesmo com o resultado positivo, o contingente de pessoas sem trabalho aumentou no curto prazo. Ao todo, 6,6 milhões estavam desocupadas, número 19,6% superior ao registrado no trimestre anterior, o que corresponde a um acréscimo de cerca de 1,1 milhão de pessoas.

Na comparação com o mesmo período de 2025, no entanto, houve recuo de 13% no total de desempregados, com redução de aproximadamente 987 mil pessoas nessa condição.

Já o número de ocupados alcançou 102 milhões. Esse total apresentou queda de 1,0% frente ao trimestre anterior, mas cresceu 1,5% na comparação anual, sinalizando melhora no mercado de trabalho ao longo de um horizonte mais amplo.

O nível de ocupação, que indica a proporção de pessoas em idade de trabalhar que estão empregadas, foi estimado em 58,2%. O indicador recuou 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, mas avançou 0,4 ponto na comparação com o mesmo período do ano passado.

Desenrola 2: alívio imediato ou risco silencioso ao futuro do trabalhador?

 Programa amplia renegociação de dívidas, mas reacende debate sobre o uso do FGTS e decisões financeiras sob pressão

Por Adriano Loureço

Com a nova fase do Desenrola 2, o governo federal reforça a tentativa de reduzir os altos índices de inadimplência no país. A proposta é sedutora: facilitar acordos, oferecer descontos e permitir que o trabalhador utilize recursos como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar dívidas. No entanto, a medida levanta questionamentos importantes sobre o impacto dessa decisão no futuro financeiro da população.

Criado como uma rede de proteção, o FGTS sempre teve um papel estratégico na vida do trabalhador com carteira assinada. É uma reserva que acompanha anos de esforço e que pode ser essencial em momentos críticos — como uma demissão inesperada, uma doença ou a realização do sonho da casa própria. Ao abrir a possibilidade de utilizar esse recurso para pagar dívidas, o programa desloca essa lógica de proteção para uma solução imediata.

E é justamente nesse ponto que surgem as principais dúvidas do trabalhador:

  • Vale a pena abrir mão de uma reserva de segurança para quitar dívidas agora?
  • Após usar o FGTS, como agir para não voltar ao endividamento?
  • E se surgir uma emergência depois, sem essa proteção disponível?
  • Os descontos oferecidos realmente compensam a perda desse recurso acumulado ao longo dos anos?

Essas perguntas refletem uma realidade complexa. Para muitos, quitar dívidas com juros elevados pode significar um recomeço. Para outros, pode representar apenas uma solução temporária, sem atacar a raiz do problema: a falta de planejamento financeiro e a pressão constante sobre a renda.

Esse não é o primeiro movimento do governo federal envolvendo o uso de recursos ou garantias do trabalhador para estimular a economia. Durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também foi criado o modelo do crédito consignado para trabalhadores com cateira assinada, que ganhou força especialmente nos últimos anos. A proposta permitia que empregados do setor privado tivessem acesso a empréstimos com desconto direto na folha de pagamento, muitas vezes utilizando o FGTS como garantia.

Na prática, esse modelo ampliou o acesso ao crédito, mas também trouxe um alerta: ao facilitar o endividamento com base em uma renda futura ou em garantias como o FGTS, o trabalhador passa a comprometer parte de sua segurança financeira. Em muitos casos, o crédito barato se transformou em uma nova fonte de endividamento, especialmente quando utilizado sem planejamento.

Agora, com o Desenrola 2, o cenário se repete sob outra perspectiva: em vez de antecipar renda, o trabalhador utiliza uma reserva já existente. Para o governo, o efeito é positivo — redução da inadimplência, estímulo ao consumo e possível aumento da arrecadação. Para o trabalhador, o impacto depende diretamente da forma como essa decisão é tomada.

Especialistas apontam que usar o FGTS pode ser vantajoso em situações específicas, como dívidas com juros muito altos. Porém, reforçam que essa escolha deve ser acompanhada de mudança de comportamento financeiro. Sem isso, o risco é alto: quitar dívidas hoje e, no futuro, enfrentar novas dificuldades — agora sem a reserva que poderia servir de amparo.

O Desenrola 2, portanto, não é apenas um programa econômico. Ele revela um dilema social profundo: o trabalhador brasileiro, muitas vezes, precisa escolher entre resolver o presente ou proteger o futuro. E, diante da pressão das contas, essa escolha nem sempre é feita com margem para erro.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Escala 6x1, FGTS e Desenrola 2: o trabalhador no centro — e no risco — das novas estratégias econômicas

 Debate sobre jornada de trabalho se cruza com políticas de crédito e uso do FGTS, levantando alertas sobre endividamento e interesses fiscais em ano eleitoral.

Por Adriano Loureço

A discussão sobre o fim da escala 6x1 ganhou força no Brasil, mas não caminha sozinha. Ela se conecta diretamente a outra frente do governo: a ampliação do crédito ao trabalhador por meio de programas como o Desenrola Brasil, que avança agora para uma segunda fase, o chamado Desenrola 2.

A combinação dessas pautas revela uma estratégia mais ampla: aliviar a pressão financeira imediata da população, ao mesmo tempo em que movimenta a economia — e, indiretamente, a arrecadação.

Brasil: proteção alta, renda pressionada

O modelo brasileiro continua oferecendo direitos robustos, como 13º salário, férias remuneradas e o FGTS. No entanto, o problema central segue sendo a renda disponível.

Diferente de países como Alemanha, Dinamarca ou Estados Unidos, onde salários mais altos equilibram menor proteção direta, o trabalhador brasileiro depende mais desses mecanismos para manter estabilidade financeira.

Desenrola 2 e o uso do FGTS

A nova fase do programa amplia o acesso ao crédito e incentiva a renegociação de dívidas. Um dos pontos centrais é justamente o uso de garantias como o FGTS — seja de forma direta ou indireta — para destravar crédito.

O risco para o trabalhador

Embora pareça solução imediata, o uso do FGTS envolve riscos claros:

  • perda de uma reserva de segurança para demissão;
  • redução da proteção em momentos de crise;
  • estímulo ao endividamento contínuo;
  • troca de um recurso de longo prazo por alívio de curto prazo.

Na prática, o trabalhador pode sair de uma dívida cara para outra mais “organizada”, mas ainda dependente de renda instável.

A vantagem para o governo

Por outro lado, há ganhos relevantes para o Estado:

  • aumento do consumo imediato;
  • reativação da economia;
  • maior circulação de dinheiro;
  • incremento na arrecadação indireta (impostos sobre consumo);
  • redução momentânea da inadimplência.

Ou seja, ao liberar crédito e estimular o uso de recursos como o FGTS, o governo cria um ciclo econômico que retorna em forma de tributos — especialmente em um cenário pré-eleitoral.

 

Onde entra a escala 6x1

A discussão da jornada se encaixa nesse contexto. Reduzir a carga de trabalho pode melhorar a qualidade de vida, mas também pode:

  • pressionar custos das empresas;
  • impactar salários em alguns setores;
  • aumentar a dependência de crédito por parte do trabalhador.

Assim, cria-se um cenário paradoxal: ao mesmo tempo em que se discute trabalhar menos, amplia-se o acesso ao crédito para sustentar o consumo.

O pano de fundo político

Em ano eleitoral, medidas que impactam diretamente o bolso ganham protagonismo. A combinação entre:

  • revisão da jornada;
  • ampliação de crédito;
  • uso de garantias trabalhistas;

forma um pacote com forte apelo popular.

O risco está na sustentabilidade dessas políticas após o período eleitoral.

Perguntas que ficam

  • O trabalhador está trocando segurança futura por alívio imediato?
  • O uso do FGTS como garantia enfraquece sua função original?
  • O estímulo ao crédito resolve o problema ou apenas adia?
  • A redução da jornada é viável sem aumento de produtividade?
  • Até que ponto essas medidas são estruturais ou eleitorais?

Conclusão

A discussão sobre a escala 6x1, combinada ao avanço do Desenrola 2, revela uma estratégia clara: movimentar a economia pelo consumo e pelo crédito.

Mas o custo dessa engrenagem pode recair justamente sobre quem se pretende proteger — o trabalhador, que arrisca sua reserva de segurança em troca de um fôlego financeiro imediato, enquanto o governo colhe os efeitos positivos na arrecadação no curto prazo.

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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Congresso derruba veto de Lula no PL da Dosimetria, mas STF pode reescrever desfecho

 Vitória do Congresso sobre veto de Luiz Inácio Lula da Silva beneficia aliados de Jair Bolsonaro, mas ainda depende do crivo do Supremo Tribunal Federal.

Por Adriano Lourenço

A derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao PL da Dosimetria marca uma vitória expressiva do Congresso Nacional, com impacto político direto para aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. O texto, agora encaminhado para promulgação, simboliza mais do que um revés ao Planalto: representa uma demonstração de força do Legislativo em meio a um cenário de constantes tensões institucionais.

A decisão do Congresso reforça o papel do Parlamento como protagonista na formulação de leis e sinaliza que há limites para o poder de veto do Executivo. Em um momento de pré-eleição e articulações políticas intensas, o movimento também ganha contornos estratégicos, sendo interpretado como uma vitória relevante da oposição e de setores que defendem mudanças na condução de temas ligados à Justiça.

No entanto, o desfecho dessa história pode estar longe de ser definitivo.

Isso porque o Supremo Tribunal Federal surge como peça central nesse cenário. Nos últimos anos, a Corte tem sido acionada com frequência para analisar matérias aprovadas pelo Congresso, especialmente aquelas de grande repercussão política e jurídica. E o PL da Dosimetria reúne exatamente esses dois elementos.

A possibilidade de judicialização é real. Partidos políticos, entidades de classe ou mesmo órgãos institucionais podem questionar a constitucionalidade da medida, levando o tema ao STF. Caso isso ocorra, caberá à Corte interpretar os limites da nova legislação e, eventualmente, redefinir seus efeitos.

Esse contexto cria um ambiente de incerteza. A vitória do Congresso, embora legítima do ponto de vista político, pode ser relativizada dependendo do entendimento jurídico que venha a ser adotado. Em outras palavras, o que hoje é comemorado como avanço pode, amanhã, sofrer ajustes ou até ser esvaziado.

O episódio escancara uma dinâmica cada vez mais presente no país: decisões relevantes não se encerram no plenário do Congresso. Elas seguem, quase inevitavelmente, para o Judiciário — onde ganham novos contornos.

No centro desse debate, não estão apenas Lula ou Bolsonaro, mas o próprio equilíbrio entre os Poderes. A derrubada do veto mostra a força do Legislativo. A possível atuação do STF, por sua vez, evidencia que, no Brasil atual, a última palavra pode não ser de quem legisla.