De Campina Grande ao Sertão, famílias políticas mantêm protagonismo enquanto velhos problemas seguem sem resposta ao eleitor.
Por Adriano Lourenço
O anúncio do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, ao confirmar Diogo Cunha Lima como nome para compor chapa majoritária nas eleições deste ano, reacendeu um debate recorrente no cenário paraibano: a falta de experiência de novos nomes e a permanência de grupos tradicionais no comando político do estado.
A discussão surgiu após críticas de adversários e até de setores aliados sobre a pouca vivência administrativa de Diogo Cunha Lima. No entanto, a história política da Paraíba mostra que diversas lideranças iniciaram trajetórias sem ampla experiência no Executivo e ganharam espaço ao longo dos anos.
Campina Grande concentra grupos históricos
Em Campina Grande, dois grupos marcaram as últimas décadas da política local: as famílias Cunha Lima e Vital do Rêgo.
Veneziano Vital do Rêgo iniciou carreira como vereador, foi prefeito de Campina Grande por dois mandatos, deputado federal e atualmente exerce mandato no Senado Federal. O parlamentar é uma das principais lideranças políticas do estado.
Já Cássio Cunha Lima teve trajetória como prefeito, governador e senador, consolidando um dos grupos mais influentes da Rainha da Borborema. Atualmente, Bruno Cunha Lima mantém a presença familiar no comando da prefeitura.
João Pessoa também reúne lideranças tradicionais
Na capital paraibana, Cícero Lucena segue como uma das figuras centrais da política estadual após décadas de atuação pública.
Outros nomes também ganharam relevância ao longo dos anos, como Ricardo Coutinho, ex-governador e ex-prefeito, e Luciano Cartaxo, ex-prefeito da capital.
Sertão e interior preservam influência regional
Em Patos, o grupo Wanderley segue com forte presença política, tendo como destaque Nabor Wanderley.
Na região de Guarabira, nomes como Zenóbio Toscano e Léa Toscano marcaram a política local.
Já em municípios como Sousa e Cajazeiras, grupos familiares e alianças históricas continuam influenciando sucessões municipais e disputas estaduais.
Famílias seguem com espaço no cenário político
A política paraibana registra ainda a presença constante de esposas, filhos e parentes de lideranças tradicionais que ingressaram na vida pública ao longo dos anos, mantendo grupos ativos por gerações.
Especialistas apontam que o fenômeno não é exclusivo da Paraíba, mas tem forte presença no Nordeste, onde estruturas locais de poder permanecem influentes.
Renovação e continuidade
Mesmo com o surgimento de novos nomes a cada eleição, a repetição de sobrenomes conhecidos demonstra que a renovação política no estado ainda convive com estruturas tradicionais.
Temas como saúde, segurança pública, educação, infraestrutura e geração de empregos continuam no centro do debate eleitoral e costumam ser apresentados como prioridades em diferentes campanhas.
Coronelismo moderno segue vivo
Em pleno século XXI, o coronelismo apenas se modernizou. Saiu o mando explícito, entrou o marketing político, as redes sociais e os discursos reciclados.
A repetição dos mesmos nomes mostra que parte do eleitorado ainda aposta em promessas antigas travestidas de novidade. Segurança, saúde, educação, infraestrutura, emprego e qualidade de vida continuam sendo promessas recorrentes, quase sempre sem solução concreta.
No fim, muitos entram como renovação e terminam absorvidos pelo mesmo sistema. Mudam os rostos, permanecem os métodos. A Paraíba não aguenta mais discurso ela espera resultados e estes até o momento trouxe angústias para muitos e esperança para poucos.
Ao eleitor, resta mais uma vez aguardar quatro anos — na esperança de que desta vez algo realmente mude.
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