quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Convenções revelam mais que candidatos: expõem a disputa pelo poder nos bastidores da política paraibana

 Enquanto MDB e PL apresentaram chapas completas, o partido do governador (PP), chegou à convenção sem definir o vice, alimentando questionamentos sobre interesses políticos e falta de consenso.

Por Adriano Lourenço

As convenções partidárias realizadas na Paraíba deram o pontapé oficial na disputa pelo Governo do Estado. O MDB confirmou a candidatura de Cícero Lucena, tendo Diogo Cunha Lima como candidato a vice-governador. O senador Efraim Filho também oficializou sua chapa, anunciando a advogada Nayana Pontes como candidata a vice-governadora, transmitindo ao eleitor a imagem de uma composição concluída.

O fato que mais repercutiu, porém, ocorreu na convenção do Progressistas (PP), partido do governador Lucas Ribeiro. Mesmo sendo a legenda que ocupa hoje o comando do Estado, o evento começou sem a definição do candidato a vice-governador. A ausência de um nome oficial não passou despercebida e rapidamente abriu espaço para especulações sobre divergências internas, pressões de aliados e negociações de última hora.

Durante semanas, diversos nomes foram colocados na mesa como possíveis candidatos a vice. Nenhum, entretanto, foi confirmado até o início da convenção. O episódio evidenciou que, nos bastidores, o jogo político continua sendo movido pela busca de espaço, influência e fortalecimento partidário, muitas vezes deixando o eleitor em segundo plano.

É natural que alianças sejam construídas por meio do diálogo. O que causa estranheza é quando uma convenção — momento criado justamente para apresentar um projeto político à sociedade — acontece sem que um dos principais cargos da chapa esteja definido. Isso transmite uma imagem de incerteza e fortalece a percepção de que os interesses das legendas ainda falam mais alto do que o compromisso de apresentar uma equipe pronta para governar.

Para o eleitor, principalmente aquele que apoia o atual governo, ficam perguntas inevitáveis. Se ainda não havia consenso para definir quem dividiria o comando do Estado, como estão as demais decisões políticas que envolvem o futuro da administração? A demora foi apenas uma estratégia eleitoral ou revelou divergências que continuam existindo dentro da própria base governista?

As convenções encerram uma fase burocrática da eleição, mas iniciam outra ainda mais importante: a do julgamento popular. A partir de agora, não basta apresentar nomes. Será preciso convencer a população de que as alianças foram construídas em torno de propostas para a Paraíba, e não apenas para atender aos interesses dos partidos.

Porque, no fim, quem comparece às urnas não vota em acordos de bastidores. Vota esperando estabilidade, transparência, compromisso e resultados. E é justamente isso que a sociedade paraibana cobrará de todos os candidatos durante a campanha.

 


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