Enquanto MDB e PL apresentaram chapas completas, o partido do governador (PP), chegou à convenção sem definir o vice, alimentando questionamentos sobre interesses políticos e falta de consenso.
Por Adriano Lourenço
As convenções partidárias realizadas na Paraíba deram o
pontapé oficial na disputa pelo Governo do Estado. O MDB confirmou
a candidatura de Cícero Lucena, tendo Diogo Cunha Lima como candidato a vice-governador. O senador Efraim
Filho também oficializou
sua chapa, anunciando a advogada Nayana
Pontes como candidata a
vice-governadora, transmitindo ao eleitor a imagem de uma composição concluída.
O fato que mais repercutiu, porém, ocorreu na convenção
do Progressistas
(PP), partido do
governador Lucas
Ribeiro. Mesmo sendo a legenda
que ocupa hoje o comando do Estado, o evento começou sem a definição do
candidato a vice-governador. A ausência de um nome oficial não passou
despercebida e rapidamente abriu espaço para especulações sobre divergências
internas, pressões de aliados e negociações de última hora.
Durante semanas, diversos nomes foram colocados na mesa como
possíveis candidatos a vice. Nenhum, entretanto, foi confirmado até o início da
convenção. O episódio evidenciou que, nos bastidores, o jogo político continua
sendo movido pela busca de espaço, influência e fortalecimento partidário,
muitas vezes deixando o eleitor em segundo plano.
É natural que alianças sejam construídas por meio do
diálogo. O que causa estranheza é quando uma convenção — momento criado
justamente para apresentar um projeto político à sociedade — acontece sem que
um dos principais cargos da chapa esteja definido. Isso transmite uma imagem de
incerteza e fortalece a percepção de que os interesses das legendas ainda falam
mais alto do que o compromisso de apresentar uma equipe pronta para governar.
Para o eleitor, principalmente aquele que apoia o atual
governo, ficam perguntas inevitáveis. Se ainda não havia consenso para definir
quem dividiria o comando do Estado, como estão as demais decisões políticas que
envolvem o futuro da administração? A demora foi apenas uma estratégia
eleitoral ou revelou divergências que continuam existindo dentro da própria
base governista?
As convenções encerram uma fase burocrática da eleição, mas
iniciam outra ainda mais importante: a do julgamento popular. A partir de
agora, não basta apresentar nomes. Será preciso convencer a população de que as
alianças foram construídas em torno de propostas para a Paraíba, e não apenas
para atender aos interesses dos partidos.
Porque, no fim, quem comparece às urnas não vota em acordos
de bastidores. Vota esperando estabilidade, transparência, compromisso e
resultados. E é justamente isso que a sociedade paraibana cobrará de todos os
candidatos durante a campanha.
Nenhum comentário:
Postar um comentário