segunda-feira, 25 de maio de 2026

MPF quer inclusão de população de rua atingida por calamidade de 2024 em programas de auxílio e moradia no RS

 Segundo o MPF, as portarias que instituem os programas criam barreiras para acesso aos benefícios.

Unidade: Procuradoria da República no Rio Grande do Sul

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública contra a União para exigir que o poder público tome medidas para incluir a população em situação de rua, atingida pela calamidade pública ocorrida no Estado do Rio Grande do Sul em abril e maio de 2024, em programas assistenciais. O objetivo é assegurar a efetivação do direito constitucional à moradia e à assistência.  

Na ação, o MPF requer a marcação de uma audiência preliminar de conciliação para buscar um consenso e implementar medidas administrativas para incluir essa população em auxílios e programas emergenciais federais como o Minha Casa Minha Vida Calamidade. As iniciativas visam agilizar o atendimento aos afetados pelas fortes chuvas ocorridas no estado no ano passado, mas não tem contemplado adequadamente pessoas em situação de rua.

De acordo com o MPF, os critérios definidos pelas portarias que instituem os programas emergenciais de moradia e compra assistida para famílias atingidas por desastres climáticos exigem documentação e comprovações incompatíveis com a realidade de pessoas em situação de rua, “tais normas operam como barreira intransponível para o acesso dessa população aos benefícios”, diz trecho da ação.

O procurador da República Fabiano de Moraes, que assina o documento, ressalta que a exclusão da população em situação de rua dos programas emergenciais instituídos pela União caracteriza hipótese de discriminação indireta.

Assim sendo, o MPF pede que a União estabeleça critérios objetivos, razoáveis e adequados à realidade dessa população e promova as medidas administrativas necessárias a fim de possibilitar o cadastramento nos programas.

Ação ainda pede que a União aplique o princípio da isonomia material no acesso a benefícios emergenciais, ou seja, conceda igualdade de condições à população em situação de rua. Também pede a implementação de um protocolo específico de atendimento às pessoas em situação de rua, considerando suas peculiaridades no cadastramento e documentação.

Tragédia – Quase 3 milhões de pessoas de todo o estado foram impactadas pelas fortes chuvas e inundações que assolaram o Rio Grande do Sul entre abril e maio de 2024. De acordo com dados oficiais, em um primeiro momento, mais de 500 mil pessoas foram desalojadas de suas residências – mais de 75 mil pessoas tiveram de ser acolhidas em abrigos.

Ação Civil Pública 5024715-38.2025.4.04.7100/RS

Brasil das calçadas: população em situação de rua cresce enquanto governos colecionam promessas e omissões

Entre discursos oficiais e estatísticas alarmantes, milhares de brasileiros seguem dormindo nas ruas, invisíveis para quem deveria garantir seus direitos mais básicos.

Por Adriano Lourenço


A população em situação de rua no Brasil continua crescendo em ritmo preocupante. Segundo dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, vinculado à UFMG, o país já ultrapassa a marca de 335 mil pessoas vivendo sem moradia fixa. São homens, mulheres, idosos e até famílias inteiras que transformaram calçadas, praças e marquises em abrigo diante da incapacidade do Estado de oferecer condições mínimas de dignidade.

Mais do que números, trata-se de uma realidade que escancara o fracasso de sucessivos governos e a ineficiência de políticas públicas que raramente saem do papel. Há décadas, gestores anunciam programas sociais, planos habitacionais e ações de acolhimento. Entretanto, basta caminhar pelas ruas de qualquer cidade para perceber que o problema não apenas permanece, mas se agrava a cada ano.Na minha visão, o crescimento da população em situação de rua é uma das maiores demonstrações da hipocrisia institucional brasileira.

Enquanto autoridades disputam espaço em palanques para anunciar obras milionárias, festividades grandiosas e investimentos de impacto eleitoral, milhares de cidadãos seguem abandonados à própria sorte. Não faltam discursos sobre inclusão social; falta compromisso real para enfrentar as causas da exclusão.

O poder público frequentemente limita sua atuação à retirada temporária dessas pessoas das áreas centrais ou à oferta de abrigos emergenciais que, embora necessários, não representam solução definitiva. A reinserção social exige emprego, qualificação profissional, atendimento à saúde mental, combate à dependência química quando existente e, principalmente, acesso à moradia. Sem isso, qualquer ação torna-se apenas uma medida paliativa para esconder o problema dos olhos da sociedade.

Outro aspecto que merece reflexão é a seletividade da indignação pública. Muitos reclamam da presença de pessoas em situação de rua nas praças e avenidas, mas poucos questionam os motivos que levaram essas pessoas até ali. É mais fácil condenar quem perdeu tudo do que cobrar dos governantes a implementação de políticas capazes de impedir que novos brasileiros cheguem à mesma condição.

Também chama atenção a contradição de um país que convive com milhares de imóveis vazios enquanto cresce o contingente de cidadãos sem teto. O contraste revela que a crise habitacional brasileira não decorre apenas da falta de recursos, mas da ausência de prioridade política. Quando há interesse, recursos aparecem rapidamente para projetos considerados estratégicos. Quando o assunto é moradia popular, o discurso quase sempre supera a ação.

A verdade é que ninguém escolhe dormir em uma calçada sob chuva, frio, violência e insegurança. A rua costuma ser o último estágio de uma sequência de perdas: emprego, renda, vínculos familiares e esperança. Ignorar essa realidade é aceitar que parte da população seja tratada como descartável.

Enquanto o país continuar normalizando cenas de seres humanos vivendo entre papelões e sacolas nas esquinas das cidades, qualquer discurso sobre desenvolvimento, justiça social ou progresso permanecerá incompleto. Uma nação não pode ser considerada verdadeiramente desenvolvida quando milhares de seus cidadãos sobrevivem sem teto, sem proteção e sem perspectivas, observados diariamente por uma sociedade que se acostumou a passar por eles sem enxergá-los.

"A situação de rua não é apenas um problema social. É a prova diária de que o Estado falha quando permite que cidadãos percam até mesmo o direito de existir com dignidade. O abandono não está nas calçadas; está na ausência de vontade política para mudar essa realidade."







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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Escândalos tomam conta do Brasil e enterram debates sobre trabalho, inflação e segurança

Áudio envolvendo Flávio Bolsonaro reacende debate sobre financiamento político, influência empresarial e guerra de narrativas

Por Adriano Lourenço

O Brasil vive mais uma vez o ciclo em que um escândalo rapidamente substitui o outro nas manchetes e nas redes sociais. Nos últimos dias, ganhou força a divulgação de um áudio atribuído ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, no qual ele teria pedido apoio financeiro ao empresário Daniel Vorcaro para a produção de um filme envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A repercussão tomou conta de portais, programas de televisão, rádios e redes sociais, alimentando um debate que mistura política, financiamento privado, pré-campanha eleitoral e a crise de imagem envolvendo o Banco Master. Em meio ao barulho político, uma pergunta passou a circular: o escândalo é realmente sobre o financiamento do filme ou sobre quem aparece ao lado de Daniel Vorcaro neste momento delicado?

Nos bastidores políticos, analistas observam que o episódio ocorre justamente em um momento em que o nome de Vorcaro passou a ser associado a investigações, disputas judiciais e questionamentos envolvendo o Banco Master. Com isso, qualquer figura pública mencionada em mensagens, conversas ou possíveis delações acaba inevitavelmente entrando no radar político e midiático.

Ao mesmo tempo, aliados da direita afirmam que o caso estaria sendo explorado pela esquerda como instrumento de desgaste político contra o bolsonarismo, especialmente diante da aproximação do calendário eleitoral de 2026. Já setores ligados ao governo defendem que figuras públicas precisam explicar qualquer relação financeira ou política com empresários envolvidos em polêmicas.

O debate também levanta outra discussão importante: o financiamento privado de produções audiovisuais envolvendo líderes políticos não é novidade no Brasil. Filmes e documentários sobre figuras públicas frequentemente receberam apoio de empresas, produtores independentes e investidores privados. O atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva já teve produções cinematográficas inspiradas em sua trajetória, assim como outros ex-presidentes brasileiros e personalidades políticas.

Nos últimos anos, produções ligadas a nomes políticos acabaram se tornando também instrumentos de narrativa pública, ajudando a construir imagem, reforçar legado e mobilizar apoiadores. O problema, segundo críticos, surge quando empresários envolvidos em controvérsias financeiras entram nesse circuito, ampliando suspeitas e disputas políticas.

Além do núcleo político, o escândalo Master acabou atingindo também empresários, investidores e celebridades citadas em reportagens e especulações relacionadas ao banco e às movimentações financeiras ao redor do grupo. Embora muitos nomes mencionados não sejam investigados formalmente, a simples associação pública tem sido suficiente para alimentar debates e teorias nas redes sociais.

Enquanto isso, outro tema que dominava a internet poucos dias antes praticamente desapareceu das discussões: as críticas relacionadas à taxação de produtos importados de pequeno valor, apelidada nas redes de “imposto das blusinhas”. O assunto havia gerado forte desgaste ao governo federal, principalmente entre consumidores e pequenos empreendedores digitais, mas acabou perdendo espaço diante da nova avalanche de notícias políticas.

Especialistas em comunicação política apontam que esse fenômeno é cada vez mais comum no Brasil atual. A velocidade das redes sociais cria ciclos curtos de indignação pública, onde um novo fato rapidamente substitui o anterior, fragmentando o debate e reduzindo a duração das cobranças populares.

No campo eleitoral, a situação também expõe um problema maior da política brasileira: a polarização quase absoluta entre lulismo e bolsonarismo. Mesmo com o surgimento de nomes como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e outros possíveis pré-candidatos ao Planalto, o debate nacional continua concentrado em torno de dois grupos políticos que dominam a narrativa há anos.

A esquerda tenta preservar o capital político do governo Lula em meio a críticas econômicas, desgaste popular e desafios administrativos. Já a direita aposta no fortalecimento do bolsonarismo mesmo diante de investigações, polêmicas e ataques constantes de adversários políticos.

No meio dessa disputa permanece o eleitor brasileiro, cada vez mais exposto a escândalos sucessivos, guerras digitais e narrativas ideológicas. Em um cenário onde cada crise rapidamente encobre a anterior, cresce também a dificuldade de aprofundar debates sobre economia, segurança pública, saúde e qualidade de vida da população.

E talvez seja justamente esse o maior problema do Brasil atual: enquanto o país se perde em escândalos, vazamentos, ataques políticos e disputas ideológicas, temas realmente importantes acabam ficando em segundo plano. O trabalhador brasileiro continua aguardando respostas concretas sobre pautas que impactam diretamente sua vida, como o debate sobre o fim da escala 6x1, o aumento do custo de vida, o preço dos combustíveis, a alta dos alimentos, a insegurança pública, o desemprego informal, as dificuldades enfrentadas pela saúde pública e até a sobrecarga enfrentada por profissionais da educação e da enfermagem.

O debate sobre a escala 6x1, por exemplo, mobiliza milhares de trabalhadores que pedem mais qualidade de vida, descanso digno e melhores condições de trabalho. Ainda assim, a pauta frequentemente desaparece do centro das discussões quando um novo escândalo político surge nas redes sociais. O mesmo acontece com temas como a reforma tributária, a situação das rodovias, os cortes em áreas essenciais, o aumento da violência urbana e a cobrança por mais transparência no uso do dinheiro público.

No fim das contas, a população assiste a um país dividido entre direita e esquerda enquanto problemas históricos continuam sem solução definitiva. A polarização fortalece discursos, movimenta militâncias e gera engajamento digital, mas o trabalhador segue esperando respostas concretas para desafios que vão muito além das disputas entre Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Governo tenta conter alta dos combustíveis em meio à pressão popular e temor de novos reajustes

Com gasolina e diesel pressionando o orçamento das famílias e o custo de vida no país, governo federal anuncia medidas para tentar reduzir impactos dos aumentos, enquanto cresce a insatisfação da população com o preço nas bombas.

Por Adriano Lourenço

O governo federal anunciou novas medidas para tentar conter o aumento dos preços da gasolina e do diesel em todo o país. A decisão surge em meio à crescente pressão popular causada pelos constantes reajustes dos combustíveis, que vêm afetando diretamente trabalhadores, motoristas de aplicativo, caminhoneiros, comerciantes e toda a cadeia econômica nacional.

A preocupação da população vai além do valor exibido nos postos. Quando a gasolina e o diesel sobem, aumentam também os custos do transporte, dos alimentos, dos serviços e até mesmo de produtos básicos consumidos diariamente. O impacto acaba chegando no bolso do cidadão comum, que já enfrenta dificuldades para manter as contas em dia diante do alto custo de vida.

Apesar do anúncio feito pelo governo, muitos brasileiros enxergam as medidas como uma tentativa emergencial de conter o desgaste político provocado pela insatisfação popular. Críticos apontam que o país segue sem uma política sólida de estabilidade para os combustíveis, deixando consumidores vulneráveis às oscilações do mercado internacional e às decisões fiscais adotadas pela gestão federal.

Outro ponto que gera críticas é o discurso econômico do governo. Enquanto autoridades falam em equilíbrio fiscal, responsabilidade econômica e controle das contas públicas, o consumidor enfrenta uma realidade diferente nas ruas. Em muitas cidades, abastecer um veículo já se tornou um desafio para trabalhadores que dependem do carro ou da motocicleta para garantir renda.

Motoristas relatam medo de novos aumentos e afirmam que o combustível vem consumindo uma parcela cada vez maior do orçamento familiar. Caminhoneiros também demonstram preocupação com o diesel, considerado peça fundamental para o transporte de mercadorias no Brasil. Qualquer aumento significativo acaba refletindo rapidamente nos supermercados e no comércio.

Especialistas alertam que medidas paliativas podem até gerar alívio momentâneo, mas não resolvem o problema estrutural envolvendo impostos, política de preços e dependência do mercado externo. Enquanto isso, a população acompanha com desconfiança os anúncios oficiais, esperando que as promessas saiam do discurso e realmente tragam redução nos preços pagos diariamente nas bombas.

Em meio às incertezas econômicas, cresce o sentimento de preocupação entre os brasileiros, que observam o combustível deixar de ser apenas um item de mobilidade para se tornar mais um símbolo do peso da inflação e da dificuldade financeira enfrentada por milhões de famílias.

Novo plano de Lula contra o crime organizado levanta dúvidas sobre eficácia, gastos e avanço das facções

 Enquanto o governo anuncia bilhões para segurança pública e tenta ampliar o controle federal sobre o combate ao crime, especialistas, policiais e governadores questionam a eficácia do novo plano diante do fortalecimento das facções, da violência urbana e dos altos custos que acabam recaindo sobre a população brasileira.

Por Adriano Lourenço

                                                                      Foto: Isaac Amorim/MJSP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou um novo plano nacional de combate ao crime organizado prometendo reforçar o enfrentamento às facções criminosas, milícias, tráfico de drogas e armas em todo o país. O anúncio acontece em meio à crescente pressão popular por mais segurança, aumento da violência em diversas regiões e expansão de organizações criminosas que desafiam diariamente o Estado dentro e fora dos presídios.

O governo fala em investimentos bilionários, integração entre forças policiais e fortalecimento das investigações. Porém, o plano também desperta críticas por não apresentar metas claras, prazos concretos ou garantias de continuidade. Para muitos profissionais da segurança pública, o Brasil já acompanhou outros programas semelhantes surgirem com forte divulgação política e poucos resultados efetivos nas ruas.

A preocupação cresce porque o crime organizado deixou de atuar apenas no tráfico de drogas e passou a controlar territórios, explorar serviços clandestinos, impor regras em comunidades, lavar dinheiro e utilizar o medo como instrumento de poder. Em muitas áreas dominadas por facções e milícias, moradores convivem diariamente sob ameaças, cobranças ilegais e violência silenciosa.

Enquanto isso, policiais seguem enfrentando enormes dificuldades nas operações. Muitos agentes relatam falta de estrutura, efetivo reduzido, equipamentos insuficientes e riscos constantes durante confrontos urbanos. Em diversas comunidades, subir uma favela significa entrar em território controlado por criminosos fortemente armados e preparados para confrontos contra as forças de segurança.

O contraste chama atenção quando autoridades políticas e até ministros conseguem circular em determinadas comunidades sem o mesmo nível de resistência enfrentado pelos policiais. A situação provoca críticas dentro das corporações, que apontam uma distância entre os discursos oficiais e a realidade enfrentada diariamente nas ruas.

Outro ponto sensível é a corrupção que alimenta o fortalecimento do crime organizado. Facções e milícias avançam não apenas pela força armada, mas também por infiltrações dentro de estruturas públicas, favorecimentos ilegais, corrupção e influência política que dificultam investigações e enfraquecem o combate ao crime.

Policiais também reclamam da sensação de impunidade. Muitos afirmam que arriscam a própria vida em operações para prender criminosos que acabam beneficiados por brechas legais, progressões de pena, audiências de custódia ou lentidão judicial. O debate sobre endurecimento das leis penais voltou ao centro das discussões diante do avanço das organizações criminosas em todo o país.

Além do novo pacote anunciado, os números já destinados à segurança pública durante o atual governo também entram no centro do debate. Desde o início da gestão Lula, bilhões de reais foram destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública, sistema prisional, inteligência policial e operações integradas entre estados e União. Somente o Fundo Nacional de Segurança Pública já ultrapassou repasses anuais superiores a R$ 2 bilhões, além de investimentos extras em equipamentos, viaturas, tecnologia e combate ao tráfico.

Agora, o novo plano prevê cerca de R$ 11 bilhões em investimentos. Apesar do valor elevado, especialistas apontam que o montante ainda pode ser insuficiente diante da estrutura financeira das facções criminosas, que movimentam bilhões por ano através do tráfico internacional de drogas, armas, roubos, contrabando e lavagem de dinheiro.

Outro tema que gera forte resistência política é a tentativa do governo federal de ampliar sua influência direta na segurança pública por meio da proposta de criação de um Ministério da Segurança Pública mais robusto e centralizador. A iniciativa enfrenta críticas de governadores e juristas, que argumentam que a Constituição Federal estabelece que a segurança pública é responsabilidade dos estados, cabendo às polícias militares, civis e penais o papel principal no enfrentamento à criminalidade local.

Diversos governadores demonstram preocupação com uma possível interferência federal nas políticas estaduais de segurança. Para opositores da proposta, a criação de uma nova estrutura ministerial aumentaria gastos públicos, criaria mais cargos, despesas administrativas e ampliaria a máquina pública em um momento em que a população já enfrenta alta carga tributária e dificuldades econômicas.

Na prática, críticos afirmam que os custos para manter um novo aparato ministerial acabariam recaindo novamente sobre o bolso do trabalhador brasileiro, através de impostos e aumento das despesas públicas, sem garantias de melhora real na segurança da população.

Especialistas defendem que o combate ao crime organizado exige muito mais do que anúncios políticos ou aumento de verba. Entre as medidas consideradas essenciais estão:

fortalecimento da inteligência policial;

integração entre forças estaduais e federais;

combate rigoroso à corrupção;

endurecimento contra líderes de facções;

controle efetivo das fronteiras;

bloqueio financeiro do crime organizado;

valorização salarial e psicológica dos policiais;

investimentos sociais permanentes nas comunidades;

geração de emprego, educação e oportunidades para jovens vulneráveis.

A aproximação entre polícia e comunidade também é vista como fundamental para reconstruir a confiança da população. Sem presença contínua do Estado, facções e milícias continuam ocupando espaços deixados pelo poder público e ampliando seu domínio em regiões cada vez mais vulneráveis.

O novo plano surge cercado de expectativa, mas também de desconfiança. A população brasileira espera mais do que discursos, promessas e anúncios bilionários. O que muitos querem ver é resultado concreto nas ruas, redução da violência, valorização das forças policiais e a retomada de territórios hoje dominados pelo medo, pelo silêncio e pelo avanço do crime organizado.





quinta-feira, 7 de maio de 2026

Chuvas expõem abandono, medo e a sensação de um povo cercado pela própria sobrevivência

Enquanto famílias perdem móveis, documentos e a esperança diante das enchentes na Paraíba, a população cobra ações permanentes do poder público e não apenas medidas emergenciais em períodos de calamidade.

Por Adriano Lourenço


As fortes chuvas que atingem a Paraíba nos últimos dias transformaram ruas em rios, destruíram parte de rodovias, arrastaram acostamentos e deixaram famílias inteiras em situação de desespero. Em diversas cidades, moradores convivem com o medo constante de perder aquilo que levaram anos para construir. Casas invadidas pela água, móveis destruídos, documentos perdidos, escolas fechadas e trabalhadores impedidos de chegar ao emprego fazem parte de uma realidade que parece se repetir a cada inverno.

Em muitos pontos do estado, a força das águas revelou um problema antigo: a fragilidade da infraestrutura urbana e a ausência de planejamento eficiente para enfrentar períodos chuvosos. Não se trata apenas de um fenômeno natural, mas também de uma crise social que escancara desigualdades e abandono.

A ajuda emergencial chega. Colchões, cestas básicas e abrigos são disponibilizados para parte das vítimas. Porém, para quem perdeu praticamente tudo, essas ações representam apenas um alívio momentâneo. O grande questionamento da população é outro: como recomeçar?

Como uma família poderá recuperar seus móveis? Como reconstruir uma casa comprometida pela água? Como recuperar documentos, eletrodomésticos e o pouco patrimônio conquistado com anos de trabalho? Essas respostas raramente chegam com a mesma rapidez das promessas feitas em momentos de crise.

Em João Pessoa, além das chuvas, outro problema chama atenção: o acúmulo de lixo nas ruas e em frente às residências. Em vários bairros, entulhos e resíduos se acumulam próximo a galerias pluviais e bueiros.

A consequência é imediata: obstrução da drenagem, aumento dos alagamentos e proliferação de doenças.

A falta de manutenção das galerias fluviais e pluviais agrava ainda mais a situação. Quando o sistema não suporta o volume da água, quem paga a conta é a população, especialmente os moradores das áreas mais vulneráveis.

As chuvas também impactam diretamente a educação e a economia. Escolas suspendem aulas por infiltrações, alagamentos ou risco estrutural. Trabalhadores enfrentam atrasos porque ruas e avenidas ficam praticamente intransitáveis. O comércio sofre com a queda no movimento e empresários convivem com a incerteza de abrir ou não seus estabelecimentos em dias de temporal.

Em meio a esse cenário, cresce entre a população a sensação de abandono político. Enquanto cidades enfrentam calamidade, parte da classe política já se movimenta nos bastidores visando as eleições de 2026. Articulações partidárias, alianças e disputas por espaço parecem ocupar mais tempo do que os problemas enfrentados diariamente pelas pessoas comuns.

Para muitos cidadãos, existe uma distância cada vez maior entre quem governa e quem enfrenta a realidade das ruas. A impressão é de que os impactos das chuvas atingem apenas o mundo dos trabalhadores, das mães e pais de família, enquanto o debate político segue concentrado em interesses eleitorais e manutenção de poder.

Mas especialistas e urbanistas apontam que existem caminhos para mudar essa realidade. Entre as principais propostas defendidas estão:

·         ampliação e modernização das galerias pluviais;

·         limpeza contínua de canais, rios e bueiros;

·         fiscalização mais rigorosa sobre descarte irregular de lixo;

·         criação de programas permanentes de prevenção a desastres;

·         investimentos em habitação segura para famílias em áreas de risco;

·         recuperação de encostas e áreas degradadas;

·         implantação de sistemas modernos de drenagem urbana;

·         construção de reservatórios para contenção das águas da chuva;

·         campanhas educativas sobre descarte de resíduos;

·         criação de um fundo estadual permanente para reconstrução de casas atingidas por desastres naturais.

Outra medida considerada essencial é o fortalecimento da Defesa Civil, com monitoramento climático mais eficiente e planos de evacuação preparados antecipadamente para evitar tragédias maiores.

Além das obras estruturais, moradores também defendem mais transparência na aplicação dos recursos públicos destinados à prevenção de enchentes. A população quer saber quanto está sendo investido, onde o dinheiro está sendo aplicado e quais obras realmente saíram do papel.

A cada novo período de chuva, a Paraíba revive cenas semelhantes: famílias ilhadas, ruas destruídas, escolas fechadas e uma população tentando sobreviver entre a esperança e o abandono. O desafio não é apenas enfrentar a chuva, mas romper o ciclo histórico da falta de planejamento.

Porque, quando a água baixa, permanece a pergunta entre os paraibanos. Até quando viveremos reconstruindo aquilo que nunca deveria ter sido destruído?




quarta-feira, 6 de maio de 2026

Lula recebeu ligação de Trump antes de viagem aos EUA; governo avaliou conversa como 'amistosa'

 Telefonema na sexta-feira (1º) durou cerca de 40 minutos, abordou interesses de Brasil e EUA e foi resultado de articulação diplomática, segundo fontes do governo.


Por Túlio AmâncioGuilherme BalzaRicardo Abreu, GloboNews e TV Globo — Brasília


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu, na sexta-feira (1º), uma ligação do presidente dos Estados UnidosDonald Trump. A conversa durou cerca de 40 minutos, de acordo com fontes do governo brasileiro.

Durante o telefonema, Lula se colocou à disposição para viajar aos Estados Unidos e realizar um encontro presencial.


Trump afirmou que sua equipe cuidaria dos detalhes para viabilizar a reunião, e o aval à data chegou já no dia seguinte, segundo interlocutores. O encontro entre os dois presidentes está marcado para quinta-feira (7) foi marcado.

De acordo com relatos, Trump adotou um tom amistoso ao longo da conversa. Ele teria dito que admira a trajetória política de Lula e comentou que pesquisou sobre a vida do presidente brasileiro.

Lula, por sua vez, afirmou que queria tratar dos interesses do Brasil e dos Estados Unidos, incluindo temas relacionados a conflitos internacionais e ao papel da Organização das Nações Unidas (ONU). Trump respondeu dizendo que tem interesse em ouvir as opiniões de Lula sobre esses assuntos.

Ao se despedir, ainda segundo fontes que acompanharam o relato da conversa, Trump encerrou o telefonema de forma informal, mandando um “I love you”, que significa "eu te amo" em inglês, ao presidente brasileiro.


O encontro de Lula e Trump

A reunião é vista por fontes da diplomacia brasileira como um passo para normalizar as relações comerciais entre os dois países, após um período de incertezas e tarifas de importação.

Além da economia, devem compor a mesa de discussões os seguintes temas (clique no assunto para mais detalhes):

ataque ao PIX;

cooperação contra crime organizado e narcotráfico;

parcerias em minerais críticos e terras raras; 

geopolítica na América Latina, Oriente Médio e ONU; e eleições no Brasil.

A viagem a Washington é fruto de um processo de aproximação que ganhou tração em 26 de janeiro de 2026, quando Lula e Trump conversaram por telefone por cerca de 50 minutos.

Após o telefonema, Lula disse que queria ir a Washington em março para ter um encontro "olho no olho" com Trump, mas a guerra no Oriente Médio atrasou a definição da agenda.


 Lula e Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático - 

               ASEAN em  KualLampur, Malásia. — Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

De janeiro para cá, a relação já marcada por divergências entre Lula e Trump ganhou novos elementos de tensão no cenário internacional.

A guerra no Oriente Médio, episódios diplomáticos como o cancelamento do visto do assessor Darren Beattie e ruídos envolvendo a prisão e posterior soltura do deputado Alexandre Ramagem contribuíram para tornar o ambiente mais complexo, adicionando desafios à interlocução entre os dois governos.

Enquanto a reunião era negociada nos últimos meses, um auxiliar do presidente Lula explicava que a reunião entre Lula e Trump poderia ser "mais um ponto de partida do que um ponto de chegada" em termos de acordos.