Lígia Feliciano completa a chapa de Lucas Ribeiro e coloca experiência política no jogo. Ao lado de Nayana Pontes e Diogo Cunha Lima, três vices revelam estratégias diferentes para uma eleição que promete ser disputada.
Por Adriano Lourenço
Prego batido, ponta virada.
Depois de semanas de especulações, nomes cotados, pressões partidárias e muita conversa de bastidor, o governador Lucas Ribeiro finalmente fechou a composição da chapa que buscará sua reeleição ao Governo da Paraíba.
E a escolha não foi pela novidade.
Lucas optou pela experiência de Lígia Feliciano, médica e ex-vice-governadora da Paraíba por dois mandatos. Com isso, a chapa governista ganha uma mulher que já conhece os corredores do poder, a administração pública e, principalmente, a dinâmica de uma eleição majoritária.
A escolha também encerra uma novela que teve vários personagens.
Durante semanas, circularam nomes como Adriano Galdino, Luciano Cartaxo, Wilson Filho, Eduardo Carneiro, Rafaela Camaraense, Maísa Cartaxo e a tenente-coronel Viviane Vieira. Em determinado momento, Viviane chegou a ser apontada como uma das possibilidades mais fortes, enquanto outros nomes também apareciam nas articulações.
Até mesmo Luana Motta, esposa do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, apareceu nas especulações, embora o próprio deputado tenha negado que ela estivesse sendo indicada para a vaga.
No final, o governador escolheu Lígia.
E essa escolha merece uma leitura diferente.
NÃO É UMA VICE DE PRIMEIRA VIAGEM
Lígia Feliciano não entra na chapa para aprender o caminho.
Ela já percorreu.
Médica formada pela Universidade Federal da Paraíba, com especialização em coração e pulmão artificial pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Lígia construiu trajetória profissional também na área hospitalar e educacional antes de ingressar diretamente na política.
Na política, foi vice-governadora em dois mandatos consecutivos: primeiro ao lado de Ricardo Coutinho e depois de João Azevedo.
Agora, anos depois de deixar o cargo, volta ao mesmo posto.
E isso produz uma diferença importante em relação às outras chapas.
Lígia já sabe o que significa ser vice-governadora.
Já conhece as responsabilidades do cargo, as limitações e também o espaço que um vice pode ocupar dentro de um governo.
Mas há outro componente político que não pode ser ignorado.
Seu marido, Damião Feliciano, é deputado federal e presidente estadual do União Brasil. O partido integra a Federação União Progressista com o PP, legenda de Lucas Ribeiro. Além disso, o filho do casal, Gustavo Feliciano, ocupa atualmente o Ministério do Turismo no governo Lula.
Portanto, Lígia não chega apenas com experiência pessoal.
Chega acompanhada de uma estrutura política familiar, partidária e institucional.
Isso não significa automaticamente transferência de votos.
Mas significa capital político.
E capital político, numa eleição majoritária, tem peso.
ENQUANTO ISSO, EFRAIM TAMBÉM APOSTOU EM UMA MULHER
Efraim Filho escolheu Nayana Pontes.
Advogada, presidente do PL Mulher em João Pessoa e esposa do deputado federal Cabo Gilberto Silva, Nayana já possui atuação política dentro do campo conservador e do próprio PL.
Sua trajetória eleitoral majoritária é diferente da de Lígia.
Nayana não carrega dois mandatos de vice-governadora.
Mas possui uma conexão direta com uma estrutura política que tem identidade própria e forte presença no eleitorado de direita.
E aqui aparece uma coincidência que merece ser observada.
Lucas escolhe uma mulher. Efraim também.
E isso acontece depois de uma discussão que nós já levantamos: a presença feminina nas eleições paraibanas.
A disputa pelo Governo do Estado não apresenta, até aqui, uma mulher como candidata titular ao Palácio da Redenção. Mas as mulheres passaram a ocupar espaço importante nas chapas majoritárias como candidatas a vice.
Será apenas coincidência?
Pode ser.
Mas também pode ser estratégia.
Em uma eleição na qual nenhum dos principais candidatos titulares é mulher, colocar uma mulher ao lado pode ajudar a construir uma imagem de representatividade e ampliar o diálogo com o eleitorado feminino.
A diferença está no perfil.
Lígia traz experiência de governo.
Nayana traz militância partidária e identificação com um campo político específico.
CÍCERO FOI POR OUTRO CAMINHO
Cícero Lucena decidiu não seguir a mesma estratégia.
Seu vice é Diogo Cunha Lima, empresário de Campina Grande e estreante numa disputa eleitoral majoritária.
Mas novamente existe uma diferença entre ser estreante e ser desconhecido.
Diogo é filho de Cássio Cunha Lima e neto do ex-governador Ronaldo Cunha Lima.
Seu sobrenome carrega uma história política que atravessa gerações na Paraíba.
Ao mesmo tempo, Diogo construiu uma trajetória empresarial antes de entrar diretamente na política. Durante a pré-campanha, Cícero destacou justamente essa combinação entre juventude, experiência empresarial e o peso político da família.
A escolha também atende a uma questão geográfica importante.
Cícero é de João Pessoa.
Diogo é de Campina Grande.
E o segundo maior colégio eleitoral da Paraíba não pode ser ignorado em uma disputa pelo Governo do Estado.
Portanto, Cícero leva para a chapa um jovem empresário, mas também uma ponte com Campina Grande e com uma das famílias políticas mais conhecidas do Estado.
TRÊS VICES, TRÊS ESTRATÉGIAS
É justamente aqui que a eleição começa a ficar interessante.
Lígia representa "experiência política e administrativa".
Nayana representa "militância partidária, presença feminina e conexão com o eleitorado conservador".
Diogo representa "renovação geracional, empresariado e tradição política familiar".
Nenhum desses elementos garante voto.
E essa talvez seja a principal questão.
Vice não é necessariamente puxador de votos.
Pode ser articulador.
Pode representar um segmento.
Pode equilibrar uma chapa.
Pode trazer estrutura partidária.
Pode ajudar em determinada região.
E pode, principalmente, transmitir ao eleitor uma mensagem que o candidato titular sozinho não conseguiria transmitir.
E O NAUFRÁGIO DOS OUTROS NOMES?
A novela da vice de Lucas Ribeiro também mostrou outra coisa: o tamanho da disputa interna dentro da base governista.
Se tantos nomes apareceram, é porque a vaga tinha valor político.
Adriano Galdino, Luciano Cartaxo, Wilson Filho, Eduardo Carneiro, Rafaela Camaraense, Maísa Cartaxo, Viviane Vieira, Lígia Feliciano e até especulações envolvendo Luana Motta passaram pelo radar político em diferentes momentos.
Mas nem todos tinham as mesmas condições.
Alguns tinham força eleitoral.
Outros tinham força partidária.
Alguns representavam regiões.
Outros carregavam experiência administrativa.
E havia aqueles que simplesmente poderiam agregar um segmento específico.
No final, Lucas escolheu um nome que reúne experiência, presença feminina, vínculo partidário e conhecimento direto do cargo.
Foi uma escolha pragmática.
Agora, a questão é saber se esse pragmatismo conseguirá virar voto.
O ELEITOR É QUEM VAI DAR A RESPOSTA
No papel, as três chapas agora estão completas.
Lucas Ribeiro e Lígia Feliciano.
Efraim Filho e Nayana Pontes.
Cícero Lucena e Diogo Cunha Lima.
Três composições diferentes.
Três histórias diferentes.
Três estratégias eleitorais.
E, principalmente, três respostas diferentes para uma mesma pergunta:
"o que o vice pode acrescentar à candidatura ao Governo da Paraíba"?
Porque o eleitor não vota apenas em um nome.
Vota em uma chapa.
E o vice, que muitas vezes aparece como coadjuvante durante a campanha, pode terminar sendo uma das peças mais importantes do jogo.
Prego batido, ponta virada.
A novela da escolha dos vices terminou.
Agora começa a parte mais difícil.
Fazer esses nomes deixarem de ser apenas composição de chapa e se transformarem em voto.